6 de abr. de 2007

Soneto

E quando nós saímos era a Lua,
era o vento caído e o mar sereno,
azul e cinza azul anoitecendo
a tarde ruiva das amendoeiras.

E respiramos, livres das ardências
do sol, que nos levara à sombra cauta,
tangidos pelo canto das cigarras
dentro e fora de nós exasperadas.

Andamos em silêncio pela praia.
Nos corpos leves e levados ia
o sentimento do prazer cumprido.

Se mágoa me ficou na despedida,
não fez mal que ficasse, nem doesse:
era bem doce, perto das antigas.


- Rubem Braga -


Não é novidade que amo esse cronista!
E um soneto seu, só poderia ser assim, simples e tocante!
Perfeito!!!

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