17 de mar. de 2006

Devaneios

Pediram-me pra fazer um texto utilizando palavras cujas iniciais fossem as letras dessa palavrinha:
M-O-T-I-V-A-Ç-Ã-O
Para tanto, tive que fazer uma breve reflexão.
Lembrei dos meus anos de bailarina, do imenso prazer que eu tinha em dançar. Qual era a motivação?
Pensei no meu curso que eu amo tanto. Qual é a motivação?
Pensei também no meu dia-a-dia. Acordo, vou pra faculdade, a tarde trabalho, e assim o tempo passa. Mas qual é a motivação?
Qual é a motivação de mergulhar em relações que podem nos fazer tão mal? Ou tão bem?

Passeando pelo dicionário, vi que o significado da tal palavrinha é:

1. ato de motivar;
2. exposição de motivos ou causas;
3. conjunto de
factores psicológicos, conscientes ou não, de ordem fisiológica, intelectual ou
afectiva, que determinam um certo tipo de conduta em alguém;

“Conscientes ou não” ???

Sendo assim, muitos fatores podem nos fazer agir sem que percebamos. Na verdade, a maioria é inconsciente. Não no sentido de que nunca poderemos ter acesso a eles, mas no sentido de que não pensamos nisso. Por que eu agi assim? Por que eu fiz isso? Por que eu deixei que fizessem isso comigo? Essa análise é mais fácil quando é feita nos outros. Em nós mesmos, é muito complicado. É difícil ser sincero e admitir o erro, a fraqueza, o medo.
Encontrar uma causa não é fácil. Simples é inferir a motivação do outro.

No texto que acabei escrevendo, tentei expressar a idéia de que a motivação é determinada pela vivência atual. Se oportunidades surgem, é necessário dar valor a elas, aproveitá-las.
Não se prender a algo semelhante ao que Clarisse Lispector fala:
“uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável ... Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar"

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